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O MARKETING ESPORTIVO SERVE PARA O QUE, QUANDO E COMO USAR?

Marketing Esportivo - Definições e Conceitos

Marketing Esportivo é uma ferramenta utilizada para comunicar-se com clientes, prospects, colaboradores e comunidade. Tem o esporte, como forma de contato com o target e, portanto, é ligado diretamente à emoção, à paixão.

Esse é o grande diferencial com relação às demais ferramentas de comunicação. Utilizado de forma precisa, o Marketing Esportivo agrega força à marca ou à empresa por meio do simbolismo com os valores do esporte, como superação, trabalho em equipe e liderança, inerentes também ao sucesso na vida corporativa e às características de cada corporação. Sendo assim, empresas de tecnologia buscam se associar ao automobilismo e empresas cujos produtos são de luxo, a esportes como tênis e golfe, por exemplo.

O marketing esportivo tem, como vantagem, o fato de impactar um consumidor relaxado, em meio ao programa e não nos intervalos. Dessa forma, a empresa que faz uso dessa estratégia de comunicação é percebida, não como uma anunciante, mas sim como uma parceira, que permite com que os campeonatos ou times patrocinados possam ter sucesso e continuidade. Mais do que isso, ainda há uma lealdade muito maior a empresas que detém esta imagem. Por exemplo, na Nascar, categoria do automobilismo americano, há uma lealdade de 72% aos patrocinadores. Ou seja, 72% dos fãs da categoria assumem comprar um produto de um patrocinador em detrimento a um não-patrocinador.

Além de ser uma forma de comunicação saudável, envolve sentimentos de uma grandeza insuperável que só o esporte pode oferecer. Adrenalina, alegria, conquista, vibração e emoção são alguns dos elementos que fazem da atividade um misto de aventura e poder.
Não se pode esquecer o papel dos ídolos, que, nesse processo, são os verdadeiros porta-vozes do mercado, com suas mensagens traduzidas em forma de talentos esportivos.

Eventos como os Jogos Olímpicos, Copa do Mundo e Superbowl, que atraem bilhões de espectadores ao redor do mundo, são bons exemplos de como o esporte surge como uma excelente forma, diferenciada, de atingir objetivos de marketing propostos pelas empresas. Esporte produz entretenimento, produz paixão. Mas é uma indústria e deve ser administrada como um negócio.


A Indústria do Esporte

A INDÚSTRIA ESPORTIVA NO BRASIL E NO MUNDO

No mundo, a indústria do esporte movimenta algo em torno de US$ 1 trilhão.
A cada gol, cesta ou raquetada, as caixas registradoras das empresas de marketing esportivo rodam numa velocidade impressionante.
Trata-se hoje de uma das mais lucrativas indústrias do planeta, que contribui com o nascimento de grandes companhias da noite para o dia.

Números no Brasil (2002)

- A indústria esportiva no Brasil, movimenta em média R$ 31 bilhões por ano e vem crescendo a cada ano. Já ultrapassa os 3% do PIB brasileiro.
- Só os torcedores do Flamengo têm um poder de consumo maior do que a Venezuela e cerca de 65% da Argentina·

Números no mundo (2002)

- Nos EUA, a indústria do esporte gera US$ 613 bilhões por ano, representando 6,7% do PIB (Dados de 2002). Em 1982 a industria americana de esporte era composta de apenas 10 investidores, hoje essa realidade é de 3,4 mil empresas.
- Os canais de televisão com programação esportiva nos Estados Unidos dobraram. Em 1997, eram 69. Hoje, são mais de 130;
- Custo de um comercial na final do campeonato de futebol americano (SuperBowl) ultrapassa U$ 70 mil/segundo;
- Na Europa, os direitos de transmissão com esportes dobraram desde 1992: de US$ 1,47 bilhão para US$ 3,3 bilhões. Até 2008, a previsão é que dobre novamente, chegando a US$ 7,5 bilhões;

Links Esportivos

Selecionamos abaixo os principais links do esporte nacional e internacional.

Arco e Flecha
Federação Internacional de Arco e Flecha - http://www.archery.org
Confederação Brasileira de Tiro com Arco - http://www.cbtarco.org.br

Atletismo
Federação Internacional de Atletismo - http://www.iaaf.org
Confederação Brasileira de Atletismo - http://www.cbat.org.br

Automobilismo
Federação Internacional de Automobilismo - http://www.fia.com
Confederação Brasileira de Automobilismo - http://www.cba.org.br

Badminton
Federação Internacional de Badminton - http://www.intbadfed.org
Confederação Brasileira de Badminton - http://www.badmintonconfbrasil.com.br

Baseball
Federação Internacional de Beisebol - http://www.baseball.ch
Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol - http://www.cbbs.com.br

Basquete
Confederação Brasileira de Basquete - http://www.cbb.com.br
Associação Nacional de Basquete (EUA) - http://www.nba.com
Associação Nacional de Basquete Feminino (EUA) - http://www.wnba.com
Federação Internacional de Basquetebol em Cadeira de Rodas - http://www.iwbf.org
Federação Internacional de Basquete - http://www.fiba.com

Beisebol e Softbol
Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol - http://www.cbbs.com.br

Biatlon
União Internacional de Biatlon - http://www.ibu.at

Bicicross
Confederação Brasileira de Bicicross - http://www.cbbx.com.br

BodyBoarding
Associação Internacional de BodyBoarding - http://www.biatour.com

Boliche
Confederação Brasileira de Boliche - http://www.cbbol.org.br

Boxe
WBO - Organização Mundial de Boxe - http://www.wbo-int.com
WBA - Associação Mundial de Boxe - http://www.wbaonline.com
IBF - Federação Internacional de Boxe - http://ibf-usba.boxing.com
WBC - Conselho Mundial de Boxe - http://www.wbcboxing.com
Confederação Brasileira de Boxe - http://www.cbboxe.com.br

Canoagem
Confederação Brasileira de Canoagem - http://www.cbca.org.br

Ciclismo
Confederação Brasileira de Ciclismo - http://www.cbc.esp.br
União Internacional de Ciclismo - http://www.uci.ch

Esgrima
Federação Internacional de Esgrima - http://www.fie.ch
Confederação Brasileira de Esgrima - http://www.brasilesgrima.com.br

Esqui Aquático
Federação Internacional de Esqui Aquático - http://www.iwsf.com
Associação Brasileira de Esqui Aquático - http://www.abea.org.br

Futebol
Federação Internacional de Futebol Association - http://www.fifa.com
Associação da União Européia de Futebol - http://www.uefa.com
Confederação Sul-Americana de Futebol - http://www.conmebol.com
Confederação Brasileira de Futebol - http://www.brasilfutebol.com
Federação Asiática de Futebol - http://www.asian-football.com
Confederação da Am do Norte, Central e Caribe de Futebol - http://www.concacaf.com
Confederação Africana de Futebol - http://www.cafonline.com
Liga Americana de Futebol - http://www.mlsnet.com

Futebol de Areia
Liga Mundial de Futebol de Areia - http://www.beachsoccer.com

Futebol de Salão (Futsal)
Confederação Brasileira de Futebol de Salão - http://www.cbfs.com.br

Ginástica
Federação Internacional de Ginástica - http://www.fig-gymnastics.com
Confederação Brasileira de Ginástica - http://www.cbginastica.com.br

Golfe
Associação Profissional de Golfe - http://www.pga.com
Confederação Brasileira de Golfe - http://www.cbg.com.br

Handebol
Confederação Brasileira de Handebol - http://www.brasilhandebol.com.br

Hipismo
Federação Internacional de Hipismo - http://www.horsesport.org
Confederação Brasileira de Hipismo - http://www.cbh-hipismo.com.br

Hóquei
Federação Internacional de Hóquei - http://www.fihockey.org
Confederação Brasileira de Hóckei e Patinação - http://www.cbhp.com.br

Iatismo
Confederação Brasileira de Desportes Aquáticos - http://www.cbda.org.br

Jiu-Jitsu
Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu - http://www.cbjj.com.br

Judô
Projeto Judô Integração Social - http://www.judopiaui.com.br
Federação Internacional de Judô - http://www.ijf.org
Confederação Brasileira de Judô - http://www.cbj.com.br

Karatê
Federação Internacional de Karatê - http://www.ifk-kyokushin.com
Federação Brasileira de Karatê - http://www.fbk.com.br

Ministério
Ministério do Esporte e Turismo Ministério do Esporte e Turismo - http://www.met.gov.br

Motociclismo
Federação Internacional de Motociclismo - http://www.fim.ch
Confederação Brasileira de Motociclismo - http://www.cbm.esp.br

Natação
Confederação Brasileira de Desportes Aquáticos - http://www.cbda.org.br
Federação Internacional de Natação - http://www.fina.org

Olímpicos
Comitê Olímpico Brasileiro (COB) - http://www.cob.org.br
Comite Olímpico Internacional (COI) - http://www.olympic.org

Pesca e Desportos Subaquáticos
Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos - http://www.antares.com.br/cbpds

Portal de Marketing Esportivo
SportBiz - Marketing Esportivo - http://www.sportbiz.com.br

Remo
Federação Internacional de Remo - http://www.fisa.org
Confederação Brasileira de Remo - http://www.cbr-remo.com.br

Skate
Confederação Brasileira de Skate - http://www.cbsk.hpg.com.br

Squash
Federação Mundial de Squash - http://www.squash.org
Associação Profissional de Squash - http://www.psa-squash.com

Surfe
Associação dos Surfistas Profissionais - http://www.asplive.com
Associação dos Surfistas Profissionais(Brasil) - http://www.aspsurf.com.br

Taekwondo
Confederação Brasileira de Taekwondo - http://www.cbtkd.com.br

Tênis
Associação dos Tenistas Profissionais - http://www.atptour.com
Master Series - ATP - http://www.masters-series.com
Federação Internacional de Tênis - http://www.itftennis.com
Confederação Brasileira de Tênis - http://www.cbtenis.com.br

Tênis de Mesa
Federação Internacional de Tênis de Mesa - http://www.ittf.com
Confederação Brasileira de Tênis de Mesa - http://www.cbtm.org.br

Tiro
Federação Internacional de Tiro Esportivo - http://www.issf-shooting.org
Confederação Brasileira de Tiro Esportivo - http://www.cbte.org.br

Tiro com Arco
Confederação Brasileira de Tiro com Arco - http://www.cbtarco.org.br

Triathlon
União Internacional de Triathlon - http://www.triathlon.org
Confederação Brasileira de Triathlon - http://www.cbtri.org.br

Vela
Federação Internacional de Vela - http://www.sailing.org
Federação Brasileira de Vela e Motor - http://www.maresbrazil.com

Vôlei
Federação Internacional de Vôlei - http://www.fivb.org
Confederação Brasileira de Vôlei - http://www.cbv.com.br

Vôo Livre
Associação Brasileira de Vôo Livre - http://www.abvl.com.br

Wakeboard
Federação Internacional de Wakeboard - http://www.iwsf.com
Associação Brasileira de Wakeboard - http://www.abw.com.br

WindSurfe
Federação Internacional de WindSurfe - http://www.sailing.org

Xadrez
Federação Mundial de Xadrez - http://www.fide.com
Confederação Brasileira de Xadrez - http://www.cbx.org.br

Livros e publicações

Abaixo indicamos alguns livros que entendemos ser referências de marketing esportivo.

título - Gatorade: Primeiro Lugar na Sede
autor - Darren Rovell

título - Sports Marketing: A Strategic Perspective
autor - Matthew D. Shank

título - The Dream Job: Sports Publicity, Promotion and Marketing, 3rd edition
autor - Melvin Helitzer

título - Organizing Successful Tournaments
autor - John Byl

título - Just Do It : The Nike Spirit in the Corporate World
autor - Donald R. Katz

título - Sports and Entertainment Marketing
autores - Ken Kaser, Dotty B. Oelkers, Darrell Frye, Nancy Long

título - Principles and Practice of Sport Management
autores - Lisa Pike Masteralexis (Editor), Carol A. Barr(Editor), Mary A. Hums

título - The Dream Job : Sports Publicity, Promotion & Marketing
autor - Melvin Helitzer

título - Athletes Guide to Agents
autores - Robert H. Ruxin, Gary A. Uberstine


Marketing esportivo: o motor do negócio


Os mais de cem especialistas de todo o mundo que nos dias 19 e 20 de abril participaram do I Encontro Internacional de Gestão de Instituições Esportivas organizado pelo Centro de Pesquisas IESE-SBM (Sport Business Management Research Center) de Madri, Espanha, trataram dos desafios que enfrentam os profissionais do setor em três áreas fundamentais: marketing, finanças e administração de pessoal. O Universia-Knowledge@Wharton esteve presente ao encontro e tomou nota dos lances mais importantes do negócio.



No painel de discussão sobre marketing, intitulado “Explorando o patrocínio e a gestão de marca”, estava representada tanto a visão de quem investe no setor esportivo como a das entidades esportivas que necessitam de patrocínio para desenvolver suas atividades. Em um ambiente que lembrava muito uma disputa esportiva, saíram a campo, representando as empresas, Francisco Huertas, diretor de marketing da Adecco, multinacional de Recursos Humanos, e Iñaki Urdangarín, presidente do Instituto NOOS, consultoria especializada em assessoria a empresas e instituições nas áreas de mecenato e patrocínio. A equipe dos patrocinados foi representada por Sandro Rosell, vice-presidente do Barcelona Futebol Clube, e Bernard J. Mullin, presidente e CEO do Atlanta Spirit.



Foco no produto ou no consumidor?

Juan Manuel de Toro, professor do IESE-SBM, responsável pela moderação do debate, discorreu primeiramente sobre o marco conceitual do marketing esportivo. Posteriormente, fez uma classificação do mercado esportivo enfatizando principalmente a necessidade de segmentação, de um projeto e do desenvolvimento de uma estratégia de criação e manutenção da marca no setor esportivo.



Nos primeiros momentos do encontro, discutiu-se a definição de marketing esportivo, ficando clara a diferença de estilo dos jogadores. De acordo com o professor do IESE-SBM, o marketing esportivo tem “seu foco no consumidor: ele pensa, decide e atua tendo em mente o consumidor final”. Para isso, ressaltou o professor, “é preciso saber quem é o consumidor esportivo, o que ele deseja e do que tem necessidade; em seguida, elabora-se a oferta mais adequada possível a essas necessidades, que é dada a conhecer ao consumidor, buscando-se com isso obter o retorno desejado. O foco deve ser no mercado, e não no produto.”



Contudo, o atual vice-presidente do Barcelona F. C., Sandro Rosell, com 18 anos de experiência no departamento de marketing da NIKE, discorda ao afirmar que “na eterna discussão sobre quem seria rei, se o produto ou o cliente, o mais importante é investir no produto. Sem uma equipe muito boa não haverá clientes. Entretanto, isso não se aplica apenas aos clubes esportivos, mas a qualquer empresa comercial. Tudo começa com um bom produto”.



“O produto esportivo tem mais em comum com o ócio do que com os produtos tradicionais de consumo — afirmou o professor da IESE-SBM. Trata-se muito mais de um serviço: o consumidor esportivo busca espetáculo, diversão, paixão, sentimento. Ele quer que todas as suas emoções sejam levadas em conta.” Todavia, para Sandro Rosell, “é muito difícil, no marketing esportivo, unir os interesses comerciais aos sentimentais”.



“O foco excessivo sobre o produto sempre foi uma marca muito característica das entidades esportivas, o que acaba por desprestigiar o consumidor. Trata-se de uma aposta claramente de curto prazo construída em função de resultados imediatos. Será que o mais importante de tudo são os resultados esportivos obtidos a qualquer preço? Como ficam os valores associados à marca esportiva?”, questionou Juan Manuel de Toro.



Estratégia de patrocínio: aspectos positivos do patrocínio esportivo para a empresa

Iñaki Urdangarín, presidente do Instituto NOOS e professor de Política da Empresa no ESADE, interveio na disputa para ressaltar a necessidade de aliar a atividade do patrocínio esportivo à estratégia corporativa, bem como mensurar sua eficácia.



Urdangarín, que participou de 170 partidas de handebol pela seleção espanhola, denunciou a falta de modelos conceituais que permitam “orientar a formulação da estratégia e dos sistemas para mensuração do impacto estratégico do patrocínio”. Para ele, o setor esportivo “necessita de indicadores que possibilitem relacionar a atividade de patrocínio aos objetivos estratégicos e empresariais”.



Um outro jogador, Francisco Huertas, diretor de marketing da Adecco, multinacional de Recursos Humanos com faturamento anual de 17,2 bilhões de euros, apoiou a intervenção de Urdangarín e expôs ao auditório as etapas da estratégia de patrocínio seguidas pela empresa:



· Avaliação do projeto:

o Identificação dos valores da entidade esportiva;

o Branding (Qual o impacto da nossa marca? Ela cria valor?);

o Relações públicas (possibilidade de desenvolvimento de relações públicas com os clientes);

o Apresentação em espécie (participação da empresa em evento patrocinado);



· Harmonia com os objetivos da empresa: cota, faturamento e lucros;

· Cumplicidade com a busca de interesses comuns da empresa e do patrocinado;

· Comunicação interna e externa (Exposição)

· Complementação publicitária, seminários de formação etc. (atividades adicionais que complementem a atividade de patrocínio);

· Mensuração e valorização (Combinar a quantificação com uma valorização mais depurada e analítica).



Contudo, todos os debatedores em campo (patrocinadores e patrocinados) concordaram que há falta de critério e de objetivos claros capazes de guiar as empresas no tocante às decisões relacionadas ao patrocínio esportivo. O presidente do Instituto NOOS sublinhou alguns dos erros mais comuns. “Fazer o gosto do presidente; assumir compromissos com determinados sócios ou provedores; considerar o patrocínio esportivo como publicidade apenas, ou ainda, achar que o patrocínio esportivo é algo para empresas grandes, com muitos números na conta de resultados.” Sandro Rosell acrescentou alguns itens à lista: “Presença do presidente no palanque reservado às autoridades no estádio; exposição da marca na televisão; o filho do presidente é fã desse esporte; meu objetivo é o mesmo do clube ou da entidade esportiva que será patrocinada por mim; e ainda, a idéia de que o consumo do meu produto vai crescer ou que venderemos mais.”



O participante estrangeiro do painel, considerado um dos principais gurus do marketing esportivo, atual presidente do Atlanta Spirit e ex-diretor de marketing da NBA, Bernard J. Mullin, observou que, no seu caso específico, “a estratégia de patrocínio de todas as equipes acha-se englobada pela estratégia da NBA (estratégia global de mercado)”. Mullin ressaltou que no Atlanta Haws, entidade que dirige há um ano e meio, “apesar de ser a pior equipe da liga atualmente, com 11 vitórias e 68 derrotas, verificou-se um aumento nas vendas de 67%, e de 15% no lucro do patrocínio”.



Os números apresentados por Mullin deixam claro que, apesar de não serem marcas e nem equipes líderes, o modelo de negócio do campeonato norte-americano de handebol era lucrativo. Esse esquema da NBA contrasta com o da indústria do futebol na Europa, onde, apesar dos números citados por Sandro Rosell com base no estudo European Sport Sponsoring sobre os lucros gerados pelo esporte (futebol, 61%; tênis, 28%; fórmula 1, 1%), “são poucos os clubes de futebol europeus que ganham dinheiro, e apenas cinco ou seis — Juventus, Milan, Bayer, Real Madrid e Barcelona — são efetivamente os grandes competidores do mercado.



Rosell apresentou uma visão global da indústria do futebol. Observou que houve um crescimento considerável nos últimos dez anos (15% a 25% de aumento anual), o que determinou mudanças significativas na estrutura das receitas e dos custos, “embora — salientou — poucos clubes sejam rentáveis”. Afirmou que o modelo de negócio passou de uma indústria sobretudo local para outra global, e fez uma comparação com a indústria do entretenimento. Rosell deixou o “campo” com a observação de que, no futebol, “os títulos são como a distribuição de dividendos nas empresas”.



Num lance individual, Mullin narrou a experiência de sua empresa, o Atlanta Spirit, composta por cerca de três marcas (Atlanta Hawks, da NBA, a equipe de hóquei Atlanta Trashers, e o estádio Philips Arena): “Os lucros gerados pelas três marcas são de um quarto de bilhão de dólares, enquanto os lucros do patrocínio são de 40 milhões. Nesse montante não estão incluídos os direitos de transmissão pela TV , porque os EUA possuem uma grande rede de emissoras locais.”



A filosofia de patrocínio, de acordo com Mullin, é a de que “não vendemos patrocínio; o que fazemos é desenvolver um negócio que faça todo o possível para se adaptar ao patrocinador, ao seu público objetivo. Oferecemos algo que o satisfaça, sob medida. Nos EUA, não se buscam muitos patrocinadores; preferimos que sejam poucos, mas que ofereçam muito dinheiro, porque assim é possível dar a eles uma atenção maior e mais personalizada”.



Gestão de marca

José Manuel de Toro retomou os debates descrevendo as principais características de sua marca: “É uma garantia de satisfação das necessidades e desejos dos consumidores. É, além disso, fonte de receitas diferenciadas (mais preço, mais cota, mais fidelidade). Trata-se de um veículo de comunicação para outras marcas (exemplo disso é o patrocínio). A marca oferece a possibilidade de estender mais facilmente a linha de produtos ou serviços oferecidos — e concluiu a classificação afirmando que se trata do tangível do intangível.”



Sandro Rosell, por sua vez, distinguiu três dimensões que influenciam na criação e no desenvolvimento da marca: a atividade esportiva (relacionada aos jogadores, à equipe e aos sucessos nos esportes), a atividade social (onde se cria a base da afetividade) e a atividade empresarial (destacando-se, principalmente, as “fontes de receitas”, “finanças sólidas” e “controle de custos”. Para Rosell, “em um clube, é preciso criar uma marca; para isso, porém, é preciso criar antes um produto.”



Com relação ao Barcelona F. C., um dos principais clubes de futebol do mundo, Rosell disse que a exploração da marca através do marketing e da mídia (sobretudo via pay-per-view) havia se tornado a mais importante fonte de receitas dos principais clubes de futebol. O vice-presidente do Barcelona lançava com isso várias perguntas: “No caso dos clubes de futebol, somos patrocinados ou patrocinadores? Somos gestores de marca ou esperamos que venha alguém e nos compre? O departamento de marketing do Barcelona tem sob sua responsabilidade a criação de uma marca competitiva; por outro lado, temos ao mesmo tempo de desejar que venha alguém de fora e nos compre.”



Mensuração do retorno do investimento do patrocínio esportivo

Francisco Huertas salientou a importância de se medir a atividade do patrocínio com os mesmos sistemas empregados em outras atividades da empresa. “Embora os números sejam fundamentais, e o retorno possa ser medido pelo peso registrado em papel, GRPS (Gross Rating Points, medida que avalia o peso da publicidade gerado por um veículo determinado num período específico de tempo), aumento do faturamento e de clientes etc., existe um componente de empatia e de valores que não pode ser quantificado.”



“Não há ferramenta que seja útil para todos — salientou Huertas — porque toda empresa tem seus objetivos específicos e cada uma valoriza aspectos estratégicos diferentes, como disse Iñaki. Uns valorizam a exposição; outros, a relação com grupos de interesse; outros ainda, a reputação social etc.”



No tocante ao retorno do investimento feito, Bernard J. Mullin discorreu sobre a experiência americana: “Hoje em dia, o indivíduo rico que injetava dinheiro em uma equipe por amor ao esporte não existe mais. Todos querem algum benefício em troca. Os patrocinadores exigem que lhes seja entregue, no final do ano, um dossiê com o número de inserções e de exposições de sua marca ou logo na televisão e na imprensa, o número de atividades em que foram exibidos e fotos de todos os logos expostos no estádio. O controle é total. Mullin concluiu dizendo que existem nos EUA quatro empresas que se dedicam exclusivamente à avaliação do rendimento dos patrocínios. São uma espécie de auditoria que procura demonstrar até que ponto a empresa patrocinadora aumenta as vendas, produz retorno financeiro etc. Tudo é analisado rigorosamente.”



Sandro Rosell, vice-presidente do Barcelona, concluiu sua exposição referindo-se ao patrocínio esportivo como uma atividade muito rentável, ressaltando também a falta de “ferramentas que mensurem o retorno sobre o investimento feito”. Rosell afirmou: “Nos meus quinze anos de experiência com a NIKE, não vi, porém, nenhuma experiência eficaz. Nem mesmo por parte das empresas de análise dos meios de comunicação. De todas as avaliações e mensurações, a única que me serve é a satisfação do patrocinador.”



O moderador do painel, José Manuel de Toro, encerrou o debate pedindo ao público uma salva de palmas para os quatro debatedores, os quais deixaram a seguinte certeza: apesar das diferentes opiniões e pontos de vista, a relação entre patrocinador e patrocinado deve ser de mútua necessidade e entendimento.


Publicado em: 18/05/05


 
 
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O ESPORTE EM APARECIDA DE GOIÂNIA - GO
 
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